Não
estou mais a sua disposição, a chave levei comigo, assim como todos os gostos
amargos de sua presença que achava que eram intensas, mas não passaram de
simples palavras jogadas no ar. Quase iludido por um o tempo a tempo de
debandar, pois quando ler este bilhete, saiba que estarei distante, num lugar que nunca mais vai me encontrar.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Nomes Ocultos
Nunca pensei que
Olhando para o B
Acharia um L
Que vive em B
Mas está em P
Querendo alguém
Para beijar.
De sobrenome companhia
Com o sorriso
Esbanjando simpatia
O L que na troca por outro L
Na noite anterior
Induziu a me equivocar.
Mas será que o B
Estando longe do P
Pode se aproximar?
Isto não importa
Pois o L
Que me ofereceu
Seu sobrenome
Quero novamente beijar.
Um Coração Que Delatou
No dia 19 de janeiro de 1809, nasceu Edgar
Allan Poe um dos escritores que mais admiráveis da literatura americana. Por
sua história conturbada e sofrida, as suas produções tem um estilo próprio que o
marcou como um dos grandes escritores já existentes no mundo.
"Eu nunca fui desde a infância jamais
semelhante aos outros. Nunca vi as coisas como os outros as viam. Nunca logrei
apaziguar minhas paixões na fonte comum. Nunca tampouco extrair dela os meus
sofrimentos. Nunca pude em conjunto com os outros despertar o meu peito
para doces alegrias, e quando eu amei o fiz sempre sozinho. Por isso, na
aurora da minha vida borrascosa evoquei como fonte de todo o bem o todo o mal. O
mistério que envolve, ainda e sempre, por todos os lados, o meu cruel
destino..." (Edgar Allan Poe)
Sua fama dá-se aos seus famosos contos
de terror que causam certo incomodo por suas alucinações, pode provocar uma angústia
para quem debruça sobre suas escritas, causando um estranhamento e horror pelas
palavras fortes e suas tramas assustadoras. Sofrido, apaixonado, alcoólatra e
brilhante poeta, não poderia passar despercebido nesta sua data. Há 222 anos, veio
ao mundo um escritor que por sua genialidade chocou, choca e inspira produções de
livros, filmes e outras representações de artes.
Annabel Lee
Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim estou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim estou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Na Solidão Permanecerá
Que ar superficial é este,
Que reconhece os que os olhos
É apenas os olhos reconhecem e se não os agrada
Não há essência que ganhe o que já está perdido.
Que hipocrisia é esta que aponta a essência
Mas no fundo a busca é encher os olhos
Estes que seleciona cada parte visível do ser
Escaneando e identificando qualidades e defeitos
Aparentes.
Que fingimento é este de dizer que o que vejo
Não importa Sim o que sinto,
Mas se não agrada o olhar como vou sentir?
A subjetividade de cada um é o fato que faz com
Selecionamos e desprezamos o outro,
Mas tudo é um processo de aceitação e negação
Dos padrões que cada um constitui
E isto não pode ser superficial, hipócrita
Ou fingimento.
Alguns dizem que erra é humano
E o ser pode não ser,
Mas para alguém sempre será,
E aquele que Escolher muito
Na solidão permanecerá.
O Indigente
Já era tarde de noite quando percebi
que estava perdido. Desci do carro e comecei a caminhar em busca de alguma
informação. As ruas estreitas com pouca iluminação encontravam-se desérticas,
casas pequenas mal pintadas enegreciam ainda mais minha visão de horror, pois, nem
pareciam ser habitadas.
O céu estrelado formava-se nuvens
negras tão devagar quanto uma torneira aberta com a água esvaindo-se por um
ralo de uma pia suja. Andava pelas ruas sem nem uma direção em busca de alguma
alma viva. Com as esperanças esgotadas agachei repousando-me no meio fio na
esperança de encontrar alguma luz. Inclinando minha cabeça para o lado esquerdo
notei uma casinha no extremo da rua. Ela era menor que as outras e tinha uma
luz acesa numa espécie de varanda, sem titubear fui ao seu encontro na busca de
alguém para dar alguma informação.
O corpo entregue pelo cansaço não
impediu de correr até aquela casa, quanto mais corria mais distante ela ficava.
Por hora achei que era uma ilusão e fiquei parado no meio da rua que parecia
não ter fim. Com as mãos apoiadas nos joelhos respirava fundo para recuperar o
folego que havia perdido no trajeto. O desespero batia, somado a vontade de
sair daquele labirinto que se formou em minha mente, que já não achava nem meu
próprio carro. E aquela casinha que nunca se aproximava.
Caia gostas do céu, com o passar
dos segundos a chuva vinha mais forte. A iluminação que já era pouca acabou
conforme os raios caiam. Em plena escuridão sem conseguir enxergar, a cada
passo que dava, meu temor aumentava, ate que uma pisada em faço me jogou no
chão. O barro estava entre minhas mãos e no impulso e desespero para me
reerguer minha perna começou a latejar. A dor era grande arrastei meu troco na
direção delas e com minhas mãos de barro e apalpei-as. Um grito ecoou de minha
boca, mas nada se escutava apenas a chuva e os fleches causados pelos raios que
iluminavam temporariamente a minha visão. O cansaço tomou conta de meu ser, a
chuva não cessava. Na espera de uma luz ou da morte adormecei estendido na lama.
Um tempo se passou fui encontrado
quase soterrado na beira de um terreno baldio. O corpo tinha varias mordidas provavelmente
dos animais que habitavam nas proximidades do matagal ou algum cão faminto que
vaga pelas ruas. A perna machucada já havia virado moradia dos vermes que se proliferavam
conforme a tocava. O cheiro de carne podre era tão forte que as autoridades
usavam mascaras para poder suportar, sem nem uma identificação fui enterrado
como indigente. Por isto, o meu espirito está aqui pedindo para que me enterrem
com uma dignidade, para assim, possibilitar o meu descanso.
A doença
A doença atingiu
Espalhou pelo meu corpo
Como fogo em palha seca
Destruindo tudo
Por onde passa
Deixando um rasto negro
De desilusão.
Entre as cinzas vasculho
As lembranças
Que possam restar
De algo que foi perdido
Mas nada se acha
Apenas poeira negra
E restos que juntando
Não restaura
Nem uma recordação.
A doença degenerou
Cada parte existente
De sentimentos
Complacentes
Como um vírus
Se alastrando
Tudo se foi
Sem deixar amor,
Sem deixar rancor.
Ela não já não tem cura
Instalou-se moribunda
Num coração em buracos
Que nem esparadrapos
Os remendam
De tanta perfuração.
A doença acabou
Dela nada restou
Junto com a vida
O ideal desmoronou
Não restaram
Nem feridas
Porque o fogo
As queimaram.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Pecando
De rimas patéticas
Vou escrevendo loucuras
Aquelas que só um apaixonado
Ou que queria se apaixonar
Tenta comover quem lê
Com a intenção ridícula
De conquistar.
“Poemas” de sofrimento
Causado pelo amor
Ou sua ausência do
Não há mais que rimar
A rima fica tão obvia
Que quando se a lê
Da vontade de rasgar.
Quanto mais leio
Detesto-me
Com textos tolos
E estúpidos,
Tão absurdos
Quanto à pessoa
Ridícula que escreveu.
Mesmo assim não paro
Quanto mais peco
Mais vontade se tem de pecar
Vou errando
Expondo-me
Até que está dor
Resolva parar.
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